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Por que precisamos de uma nova revolução verde?

Por que precisamos de uma nova revolução verde?

A economia agrícola está no centro das atenções como jamais esteve antes. Depois das commodities terem alcançado novos recordes, em abril deste ano, as cotações do arroz, trigo, milho, entre outras, foram corrigidas, mas ainda assim continuam acima dos patamares de 2000. Os preços dos alimentos caíram cerca de 75% desde 1970, graças ao aumento da produtividade agrícola, e só voltaram a subir em 2005.

O aumento do preço dos alimentos é o resultado direto de uma alta demanda aliada à oferta limitada: número crescente de pessoas a serem alimentadas e área de plantio que na melhor das hipóteses continua igual. Enquanto o Brasil ainda dispõe de alternativas para aumentar a área plantada, sem comprometer as florestas, o espaço agricultável disponível no mundo diminui à medida que a desertificação cresce e que as cidades e a produção industrial se expandem. Além disso, a população mundial aumenta na proporção de cerca de 80 milhões de pessoas/ano.

A demanda por matérias-primas agrícolas também é intensificada pelas mudanças nos hábitos alimentares. A Ásia apresenta uma crescente demanda por produtos derivados de carne. Na China, por exemplo, o consumo de carne dobrou em 15 anos. O aumento de renda nos mercados emergentes é um catalisador para a substituição do consumo de vegetais pelo de proteína animal. Além disso, outro fator crucial é a forte elevação do custo de energia nos últimos anos. O constante aumento do preço do petróleo fez com que o custo da produção agrícola subisse muito.

O vertiginoso aumento de preço das matérias-primas agrícolas, a partir de 2007 é, sem dúvida, resultado da especulação do mercado financeiro. Nos últimos dois anos, outros fatores também impactaram os preços, entre eles a perda de colheitas por razões climáticas (exemplo a pior seca do século ocorrida na Austrália) somada à demanda extra por biocombustíveis. Não se pode, no entanto, considerar este último como única razão para o aumento dos preços das commodities.

Embora nossa primeira prioridade é a produção de alimentos, os biocombustíveis podem atender à crescente demanda global por energia, reduzindo as emissões globais dos gases estufa. Mais do que isso, o uso dos biocombustíveis de "primeira geração", reduz as emissões desses gases, se comparadas aos combustíveis derivados de petróleo, mesmo que com eficiência variada.

A cana-de-açúcar, por exemplo, é uma das opções de maior eficiência energética. Com o uso de boas práticas agrícolas como a rotação de culturas e técnicas de melhora de rendimento, a cana brasileira pode se tornar um modelo sustentável.

É evidente que encontrar meios para aumentar a produtividade das culturas utilizadas na produção de energia, como a cana, deve ser um dos principais objetivos do setor da biociência, para equilibrar a produção de alimentos e de combustíveis. Para isso, a Bayer CropScience realiza intensas pesquisas para aumentar ainda mais a produtividade agrícola de cultivos importantes, esforço este sustentado por um forte aumento no orçamento de P&D, cerca de 20%, elevando seu valor para € 750 milhões até 2015.

As tendências do mercado agrícola indicam aumento de preço dos alimentos no futuro. É, portanto, vital elevar a oferta de longo prazo das matérias-primas agrícolas. Precisamos de uma nova revolução verde: investir intensamente em pesquisa, tecnologia e infra-estrutura agrícola para melhorar a produtividade para alimentar a crescente população mundial. Necessitamos de uma abordagem holística com técnicas otimizadas de rotação de culturas e irrigação, assim como novas soluções em defensivos agrícolas e de sementes com maior potencial rendimento.

Hoje, 30% a 40% das colheitas globais se perderiam, não fosse o uso de soluções modernas em defensivos agrícolas. Considerando a mudança climática, o percentual total de perda das culturas deverá aumentar ainda mais no futuro.
Um importante elemento que no futuro poderá aumentar a produtividade é a biotecnologia vegetal. Segundo as estimativas do Consultative Group on International Agricultural Research, a biotecnologia pode aumentar o potencial de rendimento em aproximadamente 25%. Não conseguiremos enfrentar os futuros desafios do setor apenas com a produção de pequena escala e a agricultura orgânica. Não podemos fechar os olhos para as oportunidades inerentes à engenharia genética. Precisamos fazer uma nova revolução verde.

Autor: Friedrich Berschauer Presidente Mundial da Bayer CropScience

 

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